DISCUTE-SE O ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
No presente discute-se na especialidade o Orçamento Geral do Estado.
O Ministro das Finanças, rapidamente
descreveu esta proposta, "como um orçamento de não austeridade".
Contudo, para os trabalhadores é um
orçamento de exaustão fiscal, perto do esbulho .
Um trabalhador com um salário:
- De 705 euros, recebe líquido 627,45 euros. O orçamento de Estado recebe 244,99 euros, ou seja, 39 por cento, face ao que o trabalhador recebe.
- Outro, com salário de 1.500 euros, recebe líquido 1077 euros, ou seja, o Orçamento de Estado recebe 779,25 euros (72,5 por cento, face ao trabalhador).
- Ainda outro com salário, no topo de carreira para
uns...ou inicio de carreira para outros de 3.400 euros, recebe liquido 2053,60 euros, mas o Orçamento de Estado recebe 2153,19 euros – 105 por cento face ao trabalhador.
Exaustão fiscal pura e dura.
O Orçamento aprovado refere um crescimento
de 4,5 pr cento da economia que acrescido à inflação média anual prevista de 4 por cento dará
um crescimento do PIB, em 8,5 por cento, contudo esse crescimento não será repartido com
os trabalhadores como referido pelo Governo, pois não haverá aumento dos salários,
mesmo com uma forte inflação, como a esperada.
Exaustão fiscal pura e dura.
Com este Orçamento, chegou-se à situação
de um trabalhador que viva em Campo Maior e tenha uma proposta de trabalho em Elvas, com acréscimo salarial de 150 euros, não aceita a proposta de trabalho,
pois não havendo passe social e com o IRS ficaria na mesma...ou pior.
O mesmo, para um trabalhador que viva em
Vila Real de Santo António e tenha uma oferta para Olhão, com mais 150 euros, certamente, não aceitará.
Contudo um trabalhador que viva em Elvas e
receba uma proposta de trabalho em Badajoz, aceita e tem um aumento do
rendimento disponível, assim como, um trabalhador que viva em Vila Real de Santo António
e receba convite para trabalhar em Ayamonte.
Exaustão fiscal pura e dura.
São dois "países" de Setúbal a Braga, um País de primeira, restante território uma Nação de segunda.
Claro, que observamos, também, neste
orçamento a continuidade da grande diferenciação entre as tabelas mensais de
IRS e a tabela anual, acabando o Estado por receber, grosso modo, mais um mês de
salário que devolve em Maio / Junho, num total desrespeito pelo esforço do
contribuinte trabalhador. O «Papá-estado» a gerir o dinheiro do "inconsciente" cidadão.
Relativamente ao Ensino, observamos a
aflição do Ministério da Educação relativamente à falta de professores. Logo, adopta-se a política
do remendo em detrimento de uma estratégia com futuro.
A paixão da educação acabou, estamos na
realidade.
E a realidade diz-nos
Idade
média das educadoras de infância – 54 anos
Idade
média dos docentes do 1º ciclo – 50 anos
Idade
média dos docentes do 2º ciclo – 53 anos
Idade
média dos docentes 3º ciclo e secundário – 51 anos
a escola
publica não responde aos cidadãos
pela falta de docentes.
Este problema
assenta:
–
na degradação
salarial
–
na grande
precariedade
–
na degradação
da carreira dos docentes
–
no
gorar de expetativas
–
na
não contagem total do tempo de serviço
–
numa
avaliação estranguladora das aptidões dos docentes
–
numa
carga burocrática sem fim
–
na formação fora do horário de trabalho
–
na desvalorização
social da profissão
–
nas
condições de trabalho
–
no desrespeito
pelo horário de trabalho
–
no desrespeito
pelo trabalho digno com salários dignos
E a isto o
orçamento de estado nada altera.
Estamos adiados
para o próximo. Até lá...
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