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27/01/2020

Com Papas e Bolos se Enganam os Tolos (parte II)

A REMUNERAÇÃO MÍNIMA NACIONAL VALE O QUÊ? QUANTO JÁ SABEMOS!




RECAPITULANDO

A «remuneração mínima nacional» (RMN) foi criada para assegurar, numa sociedade com fortes assimetrias e debilidades económicas, em que quem trabalhasse, trocando o que podia oferecer à sociedade (trabalho) pelo resultado desse trabalho (mais valias), tivesse um rendimento (vencimento) que assegurasse condições mínimas de sobrevivência. A RMN destinava-se a trabalhadores sem qualificações, muitas vezes analfabetos, num Portugal onde esta taxa ainda era elevada face à média dos países da OCDE. 


Comparando a RMN com os restantes países da União Europeia (UE) que têm este sistema de apoio de solidariedade aos mais desfavorecidos que trabalham, em 1999, havia um conjunto de dez países com RMN abaixo da portuguesa. Em 2019, vinte anos depois, são nove, pois a Eslovénia que tinha uma RMN de 354.53 € (menos dois euros) em 2019 tem o valor de 886.63 € (mais 186 euros). E os outros dez que estavam a 30 por cento do português e vinte anos depois estão a 70 por cento. Por exemplo, a República Checa tinha uma RMN (95.6 €) que era 27 por cento da portuguesa (356.72 €), mas em 2019 (518.97 €) é apenas 74 por cento da portuguesa (700 €). A esta cadência de... caracol, em 2029, Portugal terá a mais baixa ou das mais baixas RMN da UE. Ainda que os Governos (e parte dos media arregimentados) deem a entender que há aumentos gigantescos. Podem ser face à pobreza franciscana que por cá grassa, já em relação os países mais pobres da UE são uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma!

MAS QUANDO SE COMPARA COM A ECONOMIA REAL DE CADA PAÍS, ENTÃO É UMA ESPÉCIE DE CÚMULO DA DESFAÇATEZ! 

Assim... em vinte anos (1999-2019) comparando a RMN com o poder de compra de cada país, dos nove países com RMN inferior a Portugal restam... seis, pois a Lituânia, Polónia e Roménia têm uma RMN "ponderada" porque real, superior à portuguesa. E mesmo três países (Eslováquia, Hungria e República Checa) estão prestes a ultrapassar Portugal, ao apresentarem RMN já inferiores a cem euros em relação ao de Portugal: a 58.34 euros (a Hungria), a 66.47 euros (a Eslováquia) e a 71.51 euros (a República Checa). Apenas a Bulgária (menos 240.62 euros), a Letónia (menos 224.03 euros) e a Estónia (menos 132.55 euros) estão mais afastadas. O Leste - que só se libertou do imobilismo financeiro há 30 anos, a ultrapassar o país mais a Oeste, saído de uma Ditadura há 45 anos! Inacreditável, mas realidade!


Face ao que se ouve da parte do Governo e em alguma comunicação social isto parecem "dados inventados" não parecem? Mas não são. Pelo contrário, são infelizmente, a realidade.

Para a plataforma PORDATA em relação à RMN mensalizada em euros(clicar)



Para a plataforma PORDATA em relação à RMN em "Paridade do Poder de Compra" em euros (clicar)
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28/11/2019

Com Papas e Bolos Se Enganam os Tolos

O AUMENTO DO ORDENADO MÍNIMO NACIONAL TEM SIDO UM ESPETÁCULO!



Em todos os sentidos!

Quem é contra?

Zero votos em tantos portugueses (clicar)! Unanimidade! Por isso tanto espetáculo mediático! Constante!

Mas... e o ordenado médio? 

Não é assunto!



Pois é! Mas o ordenado médio é que é o indicador de referência acerca da obtenção de um mínimo de condições económicas para quem trabalha. Não é o ordenado mínimo!

DEFINIÇÕES

A «remuneração mínima nacional» (RMN) foi criada para assegurar, numa sociedade com fortes assimetrias e debilidades económicas, em que quem trabalhasse, trocando o que podia oferecer à sociedade (trabalho) pelo resultado desse trabalho (mais valias), tivesse um rendimento (vencimento) que assegurasse condições mínimas de sobrevivência. A RMN destinava-se a trabalhadores sem qualificações, muitas vezes analfabetos, num Portugal onde esta taxa ainda era elevada face à média dos países da OCDE.   

Ordenado médio - É o valor médio dos vencimentos obtidos pela totalidade dos assalariados, ou seja, a média de rendimentos (mensal) da população ativa.


É estimulante que o primeiro ministro esteja interessado em aumentar a RMN de 600 euros (2019) para 635 euros (2020) prevendo que em 2023 atinja os 750 euros. Poderá haver uma aproximação à média comunitária.

É muito preocupante que o primeiro ministro ignore, sistematicamente, o rendimento médio da população ativa que continua, em Portugal, abaixo do valor anterior à crise financeira que obrigou ao pedido de ajuda externa, em 2011. Já lá vai quase uma década. E a caminho de três legislaturas, duas da responsabilidade de António Costa. Está a existir um aumento do hiato entre Portugal e os restantes países da União Europeia (UE). Significado simples: A população ativa portuguesa empobrece face à dos restantes estados membro da UE. Conclusão simples: Estamos mal! 

Esta é a primeira de três partes ( I - Salário mínimo e médio). Seguem-se (em breve) as duas seguintes:

II - Em Defesa do Salário Mínimo

Breve sumário:
1. Desvirtuamento da essência do RMN; 
2. Evolução 1974/2020; 
3. Comparativo última década: RMN com vencimento do 1.º escalão da Carreira Docente.
  
III - Em Defesa do Salário Médio

Breve sumário:
1. Aproximação iníqua entre o Salário Médio e a RMN;  
2. Degradação dos rendimentos do trabalho em Portugal;
3. Apropriação indevida, pelo Estado, através de decisões do Governo dos rendimentos dos portugueses.

As duas partes estarão sempre balizadas segundo duas perspetivas:

SITUAÇÃO: PORTUGAL

SITUAÇÃO: UNIÃO EUROPEIA/OCDE (clicar


O SINAPE NÃO DEIXARÁ QUE LHE COMAM AS PAPAS NA CABEÇA
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